UFLA é contemplada com recursos do edital Prosul Pepe Mujica
A Universidade Federal de Lavras (UFLA) teve três projetos aprovados no Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação (Prosul Pepe Mujica), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os recursos, no valor total de R$ 1.662.230,09, foram destinados a redes de pesquisa consolidadas e emergentes e a trabalhos bilaterais nas áreas de Recursos Florestais e Engenharia Florestal e de Agronomia. Os valores constam no resultado preliminar da chamada.
Os contemplados são os professores Thiago de Paula Protásio (R$ 1.050.677,38), Marco Aurélio Carbone Carneiro (R$ 320.000,00) e Marx Leandro Naves Silva (R$ 291.552,71).
Para o diretor de Relações Internacionais da UFLA, professor Flávio Medeiros, a aprovação abre novas perspectivas de cooperação. “Hoje a maior parte dos nossos alunos internacionais vem de países das Américas. Com o Prosul podemos fomentar a cooperação entre esses alunos e outras instituições, já que o edital também prevê a mobilidade de pesquisadores em diferentes níveis de formação, o desenvolvimento conjunto de projetos estratégicos, ações de fortalecimento da infraestrutura científica regional, estímulo à inovação tecnológica e promoção da educação e da divulgação científica. Para nós, esse é um bom momento para que novos espaços de cooperação sejam abertos”, afirmou.
Projetos contemplados
O projeto coordenado pelo professor Thiago de Paula Protásio reúne instituições de quatro países. Participam o Instituto Forestal (INFOR) e a Universidad de Concepción (Chile); a Universidad Tecnológica de Pereira e a Universidad Nacional de Colombia, sede Medellín (Colômbia); a Universidad Privada del Valle (Bolívia); e, no Brasil, a própria UFLA, a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e a Universidade de Brasília (UnB).
O projeto “Saúde do solo e bioinsumos microbianos em sistemas regenerativos de Chenopodium quinoa Willd. e Glycine max (L.) Merrill na Bolívia”, coordenado pelo professor Marco Aurélio Carbone Carneiro, será desenvolvido em parceria com a Fundación PROINPA e a Universidad Mayor de San Simón (UMSS), da Bolívia. A iniciativa avalia os efeitos de práticas agrícolas regenerativas e do uso de bioinsumos microbianos sobre a saúde do solo, a biodiversidade microbiana, a ciclagem de nutrientes e o armazenamento de carbono em sistemas de quinoa e soja na Bolívia. Entre os resultados esperados estão o desenvolvimento de um índice integrado de saúde do solo, a identificação de indicadores microbiológicos e bioquímicos, a produção de artigos científicos e boletins técnicos e a capacitação de pesquisadores, estudantes e técnicos bolivianos, além de missões científicas, workshops e atividades de transferência de conhecimentos.
Já o projeto “Integração de tecnologias e práticas conservacionistas do solo para agricultura sustentável no Brasil e Equador”, coordenado pelo professor Marx Leandro Naves Silva, foca na avaliação e comparação de sistemas de agricultura sustentável no Brasil e no Equador. A proposta articula práticas conservacionistas do solo para quantificar seus efeitos sobre a qualidade do solo, os estoques de carbono e a resiliência dos sistemas agroalimentares. No Brasil, as ações incluem plantio direto na savana amazônica, sistemas agroflorestais, integração lavoura-pecuária-floresta no semiárido, plantas de cobertura e biochar. No Equador, contemplam terraços agrícolas, sistemas agroflorestais, mulching orgânico, adubação orgânica e bancos de sementes de grãos andinos. A metodologia prevê experimentos de campo padronizados, análises físicas, químicas e biológicas do solo, sensoriamento proximal e remoto e modelagem por machine learning. As instituições parceiras brasileiras são a UFLA, a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal do Ceará (UFC). Do lado equatoriano, participam a Universidad Técnica de Cotopaxi (UTC), a Universidad Técnica de Ambato (UTA) e a Universidad de las Fuerzas Armadas del Ecuador (ESPE). Os resultados serão disseminados em artigos científicos e na plataforma WOCAT/SLM.